Quando foi a última vez que você comprou um CD? Faz um bom tempo, não faz?
Em tempos atuais de mp3 players com capacidade mastodôntica de armazenamento soa um tanto quanto panaca a idéia de ainda se gastar dinheiro com música, afinal, tudo está disponibilizado de forma gratuita na rede, não é?
Seguindo a lógica do “Pra que comprar se eu posso baixar?” espera-se uma queda na venda de CDs, dito e feito. Ultimamente, várias bandas têm disponibilizado seus discos pela internet, mesmo com certo preço por download. Se até mesmo os CDs, tidos como o pináculo da indústria fonográfica na sua época de lançamento estavam se tornando obsoletos, o que dizer então dos discos de vinil ou LPs? Jurássicos por definição para boa parte da juventude que ainda paga por música no final dos anos 90/começo dos anos 2000.
Surpreendentemente, o vinil aproveita essa cambaleada do CD para ressuscitar dos mortos, subir aos céus e sentar-se à direita do consumidor todo-poderoso, que julga impiedosamente os vivos e os mortos. E é esse consumidor, feroz e exigente como o Deus do Antigo Testamento, que está promovendo o retorno do disco de vinil. Se ainda não se pode falar em uma volta triunfal, o fato é que o número de aficcionados pelas bolachas pretas aumenta à cada dia.
Por mais que o custo da produção de um LP saia por cerca de 20 reais, pouco mais do que o triplo de produção de um CD, há o fator fetiche envolvido, por questões econômicas, os vinis acabam sendo prensados em tiragens limitadíssimas e com alguns mimos para seus entusiastas, que incluem pôsteres, adesivos e afins. Além é claro, da possibilidade de ter um encarte gigantesco, em contrapartida aos tímidos livretos que acompanham os compact-discs.
Há também, fatores técnicos envolvidos, quem não lembra daquele pessoal cabeludo velha-guarda que afirmava a superioridade do LP perante o CD? Eram uma cambada de roqueiros velhos com raiva por não terem aprovado em nada as remasterizações de seus artistas favoritos, que não raramente, ocasionavam até em uma certa piora na qualidade do som, tornando impossível definir o som de certos instrumentos.
De fato, realizando o teste comparativo entre CD x LP e Mp3 x LP, o bolachão sai na frente, qualquer ouvido um tiquinho mais calejado sente a diferença, apesar dos chiados e estalos costumeiros, os vinis apresentam um som ligeiramente mais encorpado que em outros meios.
Porém, não é isso que move a paixão de alguém por discos, mas sim todo o ritual de preparação para ouvi-lo! Aí sim reside todo seu charme, a retirada do envelope plástico, o ajuste de rotação, encostar a agulha cuidadosamente e poder sentir a música, tornando-se um momento que exige atenção e dedicação, diferente de só ligar seu Winamp e deixar a lista inteira de mp3 tocar randomicamente.
A apreciação genuína de um momento lenta e cuidadosamente preparado é o que transforma o vinil em algo tão sedutor, é fundamentalmente diferente ouvir "Os Ideais" enquanto se escova os dentes ou sobe para o ônibus em vez de abrir uma cerveja, sentado na sala de casa, com encarte em mãos e assobiando junto “Dançando em Porto Lucena” com um monte amigos.
Momentos como esse, relembram tempos de proximidade física com as coisas e as pessoas, em que o tempo era mais flexível, o mundo era mais alegre e a música, muito mais sincera.
Fonte: www.cafécomnoticias.net
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